Além do etanol: veja itens afetados pelo novo tarifaço dos EUA
Além do etanol, o novo tarifaço dos EUA atinge café, aço, suco de laranja e carne bovina. Entenda os impactos na economia mineira e o que esperar para o emprego e a renda local.
O novo tarifaço dos EUA, anunciado em maio de 2026, vai além do etanol e atinge uma cesta de produtos brasileiros. Café, aço, suco de laranja e carne bovina estão na lista de sobretaxas, com impacto direto na economia de Minas Gerais, estado que concentra parte relevante da produção desses itens.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os EUA são o segundo maior destino das exportações mineiras, atrás apenas da China. A sobretaxa, que varia de 10% a 25% dependendo do produto, deve reduzir a competitividade dos embarques e afetar a renda de milhares de trabalhadores.
Café: o carro-chefe mineiro na mira
Minas Gerais é o maior produtor de café do Brasil, responsável por cerca de 50% da safra nacional. O estado exportou, em 2025, o equivalente a US$ 4,5 bilhões em café verde e solúvel, com os EUA como principal comprador (aproximadamente 30% do total).
A sobretaxa de 15% sobre o café brasileiro, anunciada pelo governo americano, deve encarecer o produto nas gôndolas dos EUA e abrir espaço para concorrentes como Colômbia e Vietnã. Para o produtor mineiro, o efeito imediato é a redução da margem de lucro, já que os custos de produção em Minas giram em torno de R$ 1.200 por saca de 60 kg.
O setor cafeeiro emprega diretamente cerca de 300 mil pessoas em Minas Gerais, entre trabalhadores rurais, cooperativas e indústrias de beneficiamento. Qualquer queda nas exportações pode se traduzir em demissões ou redução de jornada, especialmente nas regiões do Sul de Minas, Cerrado e Matas de Minas.
Aço: o peso da siderurgia mineira
Minas Gerais concentra 35% da produção de aço bruto do Brasil, com plantas da Usiminas, Gerdau e ArcelorMittal espalhadas pelo estado. Em 2025, o setor siderúrgico mineiro exportou US$ 2,8 bilhões, dos quais 22% foram para os EUA.
O tarifaço americano impõe uma sobretaxa de 25% sobre o aço brasileiro, retomando as alíquotas da era Trump. A medida atinge principalmente produtos semi-acabados, como placas e bobinas laminadas, que abastecem a indústria automotiva e de construção civil nos EUA.
Para a economia mineira, o impacto é duplo: além da perda de receita nas exportações, há o risco de demissões em um setor que emprega 60 mil trabalhadores diretos no estado. A Usiminas, por exemplo, já anunciou revisão de investimentos em Ipatinga, enquanto a Gerdau avalia redirecionar parte da produção para o mercado interno.
Suco de laranja: a concentração de risco
O Brasil é líder mundial na produção de suco de laranja, com 75% do mercado global. Minas Gerais responde por 15% da produção nacional, concentrada na região do Triângulo Mineiro, onde estão as principais fazendas e fábricas da Cutrale, Citrosuco e Louis Dreyfus.
Os EUA são o segundo maior comprador do suco de laranja brasileiro, atrás apenas da União Europeia. Em 2025, as exportações mineiras do produto somaram US$ 450 milhões, com a sobretaxa de 20% ameaçando esse fluxo.
O setor emprega cerca de 20 mil trabalhadores em Minas, entre colheita e processamento. A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) já sinalizou que a medida pode levar a uma redução de 10% na produção, com impacto direto na renda de pequenos produtores rurais.
Carne bovina: o impacto no interior
Minas Gerais é o terceiro maior rebanho bovino do Brasil, com 24 milhões de cabeças, atrás de Mato Grosso e Goiás. O estado exportou US$ 1,2 bilhão em carne bovina em 2025, com os EUA representando 18% desse total.
A sobretaxa de 20% sobre a carne brasileira, anunciada pelo governo americano, atinge principalmente cortes nobres como picanha e filé mignon, que têm maior valor agregado. Para os frigoríficos mineiros, como Friboi, JBS e Minerva, a medida reduz a margem de lucro e pode forçar a busca por novos mercados, como China e Oriente Médio.
O setor emprega 50 mil trabalhadores em Minas, entre fazendas, frigoríficos e transportadoras. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) estima que a medida pode reduzir em 5% o PIB agropecuário do estado, com impacto na renda de pequenos e médios produtores.
Etanol: o símbolo da disputa
O etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar, é o principal alvo do tarifaço americano. Os EUA impuseram uma sobretaxa de 25% sobre o combustível, alegando concorrência desleal com o etanol de milho produzido no país.
Minas Gerais é o segundo maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil, atrás de São Paulo, com 70 milhões de toneladas colhidas em 2025. O estado abriga 40 usinas sucroenergéticas, que empregam 100 mil trabalhadores diretos.
Para o setor, a medida americana representa uma perda de US$ 200 milhões em exportações anuais, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). O efeito imediato é a redução dos preços pagos ao produtor, que já opera com margens apertadas.
O que esperar para os próximos meses
A tendência é de que o tarifaço americano force o Brasil a buscar novos mercados e diversificar a pauta de exportações. Para Minas Gerais, a saída pode estar na ampliação das vendas para a China, que já é o maior comprador de minério de ferro e soja do estado, e para a União Europeia, onde o acordo Mercosul-UE pode abrir novas oportunidades.
No curto prazo, o governo federal estuda medidas de compensação, como a redução de impostos para os setores afetados e a abertura de linhas de crédito para os produtores. O Banco Central, por sua vez, monitora os impactos na inflação e no câmbio.
Para o trabalhador mineiro, a recomendação é acompanhar de perto os desdobramentos e buscar qualificação profissional para setores menos expostos, como serviços e tecnologia. A economia de Minas se mede na lavoura e na mina, número sem contexto não alimenta ninguém.
Perguntas Frequentes
Quais produtos brasileiros serão mais afetados pelo tarifaço dos EUA?
Além do etanol, os principais produtos afetados são café, aço, suco de laranja e carne bovina. Todos eles têm participação significativa nas exportações de Minas Gerais.
O tarifaço vai gerar desemprego em Minas Gerais?
Há risco de demissões nos setores mais expostos, como siderurgia e cafeicultura. O governo federal estuda medidas para mitigar o impacto, como linhas de crédito e redução de impostos.
O que o governo brasileiro pode fazer para retaliar?
O Brasil pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e impor sobretaxas a produtos americanos, como milho e trigo. A decisão final depende de negociações bilaterais.
Como o tarifaço afeta o preço do etanol no Brasil?
A medida reduz as exportações de etanol, o que pode aumentar a oferta no mercado interno e pressionar os preços para baixo. O efeito, no entanto, depende da demanda doméstica.
Quais setores podem se beneficiar com o tarifaço?
Setores que competem com produtos americanos, como a indústria têxtil e de calçados, podem ganhar espaço no mercado brasileiro. A diversificação de parceiros comerciais também abre oportunidades para novos mercados.