Ala radical do Irã acusa negociadores de golpe após acordo com EUA
Enquanto o Irã enterra o antigo líder supremo Ali Khamenei, uma crise política explode: a ala radical acusa o presidente Masoud Pezeshkian e o chanceler Abbas Araghchi de conspirarem para um golpe branco contra a República Islâmica.
Ala radical do Irã acusa negociadores de golpe após acordo com EUA
A ala radical do Irã acusa os negociadores do acordo com os EUA de articularem um golpe branco contra a República Islâmica. A acusação ganhou força durante o funeral do líder supremo Ali Khamenei, quando o chanceler Abbas Araghchi foi apedrejado e o presidente Masoud Pezeshkian ouviu gritos de 'morte ao conciliador'. Enquanto o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, permanece fora dos olhos do público, facções linha-dura veem uma conspiração para tomar o poder.
O que motivou a acusação de golpe no Irã
A hostilidade contra altos funcionários iranianos durante o funeral de Ali Khamenei reflete uma teoria que vem ganhando força entre facções radicais: a de que os líderes que negociaram o acordo com Washington estão articulando um golpe branco contra a República Islâmica e seus ideais revolucionários. O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho e sucessor do falecido, permanece praticamente invisível, sem se dirigir à nação nem afirmar sua autoridade.
"A ausência prolongada de Mojtaba significa que não têm acesso a ele e também que Ghalibaf e seus aliados estão efetivamente no comando do país", disse Arash Azizi, especialista em Irã radicado nos Estados Unidos e autor do livro "O Que os Iranianos Querem", à CNN.
Quem são os acusados de tramar o golpe
Na ausência de Mojtaba Khamenei, três figuras tornaram-se as mais visíveis à frente do Irã: o presidente Masoud Pezeshkian, o chanceler Abbas Araghchi e o negociador-chefe Mohammad Bagher Ghalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária. Eles são acusados pela ala linha-dura de conspirar para consolidar o poder suspendendo o Parlamento, desafiando as ordens do líder supremo nas negociações e tentando dispersar manifestações de rua que apoiavam os fundamentalistas.
Como o funeral de Khamenei virou palco de protestos
O grandioso funeral de uma semana de Ali Khamenei, morto no final de fevereiro em ataques aéreos israelenses coordenados com os Estados Unidos, tornou-se uma vitrine para os apoiadores mais linha-dura. Enquanto o presidente Pezeshkian caminhava ao lado do caixão, algumas pessoas enlutadas gritavam "morte ao conciliador". O chanceler Araghchi foi forçado a fugir depois que uma multidão o atingiu com pedras, em meio a acusações de ser um "traidor vendido".
As ameaças públicas contra o presidente
"Senhor presidente, se as condições do líder não forem cumpridas, então seremos nós, a lâmina e sua garganta", advertiu Mohammad Ali Bakhshi, um cantor religioso ligado à segurança e leal ao regime, durante uma cerimônia. "Traremos o inferno sobre você", completou ele. A ameaça pública de matar o presidente foi amplamente criticada, mas não há registro de que Bakhshi tenha enfrentado repercussões legais.
A reação da ala linha-dura e as consequências
Mahmoud Nabavian, um parlamentar radical, escreveu na rede social X: "Alerta ao povo do Irã: um golpe está a caminho?" e "Nestes momentos de despedida do Imam mártir (Khamenei), erguemos a bandeira da vingança pelo seu sangue e permanecemos firmes contra o golpe". Na terça-feira (14), Nabavian foi removido de seu cargo na Comissão de Segurança Nacional do Parlamento, junto com outro parlamentar crítico do acordo. Ele já havia tentado inviabilizar o acordo ao vazar o texto para a imprensa antes de sua assinatura.
O papel do Conselho Supremo de Segurança Nacional
"Eles estão tentando elevar o papel do Conselho Supremo de Segurança Nacional e, ao mesmo tempo, reduzir o papel do líder supremo e do Parlamento", disse Kamran Ghazanfari, parlamentar linha-dura, em pronunciamento em vídeo no início de julho. "Este é o golpe político que eles arquitetaram e estão executando passo a passo." Segundo especialistas, os líderes visíveis do Irã estão tentando marginalizar os radicais, que representam um custo alto demais para o sistema.
O que esperar da crise política iraniana
Apesar das divisões visíveis, observadores afirmam que o regime permanece unido em torno de um objetivo central: encerrar o conflito em termos que garantam o alívio das sanções e preservem o controle de Teerã sobre o Estreito de Ormuz. No entanto, a ausência prolongada de Khamenei, seu apoio condicional à trégua e o fortalecimento da Guarda Revolucionária encorajaram os radicais, que agora impulsionam sua própria agenda.
Perguntas Frequentes
Quem é o novo líder supremo do Irã?
Mojtaba Khamenei, filho e sucessor do falecido Ali Khamenei, é o novo líder supremo. Ele tem permanecido longe dos olhos do público, sem se dirigir diretamente à nação.
O que é a Jebhe-ye Paydari?
É a Frente da Resistência, cujos membros linha-dura são frequentemente descritos como "super-revolucionários" e se veem como guardiões dos valores da Revolução de 1979.
Quem é Saeed Jalili?
É o ex-chefe de segurança nacional, uma das figuras mais proeminentes da ala radical. Obteve mais de 13 milhões de votos nas eleições de 2024, terminando em segundo lugar. A população do Irã é de cerca de 93 milhões de habitantes.
O acordo com os EUA ainda está valendo?
O cessar-fogo entre Irã e EUA praticamente ruiu depois que a Guarda Revolucionária lançou ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz, desencadeando retaliação de Washington.
O que são as "linhas vermelhas" mencionadas?
São as ordens estabelecidas pelo líder supremo para as negociações com os Estados Unidos, que os radicais acusam a equipe de negociação de desrespeitar.
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