# Agosto, mês do desgosto: origem da fama de azar

> Agosto, mês do desgosto, carrega fama de azar desde as Grandes Navegações. A origem associa-se à prática de mulheres evitarem casar antes da partida dos maridos em expedições marítimas, temendo naufrágios e perdas definitivas. A tradição consolidou-se no imaginário popular como período de infortúnio, influenciando superstições e calendários sociais até os dias atuais.

*Portal Notícias MG · Cidade · 27 de agosto de 2026 · Cláudia Resende*

Agosto carrega a fama de mês do desgosto há séculos. A origem remonta às Grandes Navegações, quando mulheres evitavam casar antes da partida dos maridos. Entenda a história.

Todo ano, quando agosto chega, a antiga crença volta: "agosto, mês do desgosto". O oitavo mês do ano carrega uma fama de azar que atravessa gerações. Mas de onde veio essa história? A explicação mais conhecida, segundo a historiadora Isabel Fogaça, formada pela Unesp, remonta às Grandes Navegações, no século XVI, especialmente em Portugal.

Naquela época, os homens partiam para o mar e as mulheres ficavam em casa, tristes, sem saber se eles voltariam. Como agosto era período de partida de embarcações, muitas evitavam se casar no mês, com medo de os maridos ficarem longos períodos longe ou não retornarem. Daí surgiu a expressão "não se casem em agosto, porque isso vai gerar desgosto", que se popularizou e deu origem ao conhecido ditado. A tradição portuguesa foi incorporada à cultura brasileira.

No Brasil, acontecimentos políticos marcantes ajudaram a consolidar a percepção negativa. O suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, e a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, estão entre os episódios associados à fama do mês. Em outros países, tragédias como os ataques nucleares a Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, também alimentaram o imaginário popular.

Para Isabel, a associação ganhou força ainda por elementos culturais e religiosos. Ela cita a antiga expressão "mês do cachorro louco", relacionada ao comportamento dos cães no período. "Minha mãe e minha avó falam muito que agosto é o mês do cachorro louco", conta. A especialista pondera que a relação entre agosto e energia negativa não é verdade objetiva: "Espiritualidade não é ciência, não é matemática, em que dois mais dois são quatro".

A fama de agosto resulta da combinação de memória histórica, crenças populares e práticas religiosas, como a Quaresma de São Miguel, entre agosto e setembro. "É a soma desses fatores que fixou a fama em agosto", avalia. Em vez de temer o mês, Isabel sugere renovação: "Energia é espaço: eu libero energia para que coisas novas possam chegar até mim". Ela recomenda meditação ou escrever o que não se quer carregar, como forma de encerrar ciclos.

Este ano, a simbologia ganha um elemento especial: o eclipse lunar parcial entre a noite de 27 e a madrugada de 28 de agosto. Cerca de 93% do satélite será coberto pela sombra da Terra, com momento máximo às 1h12 do dia 28 e término às 2h51. Na astrologia, o eclipse com a Lua em Peixes pode ser interpretado como momento de emoções e encerramento de ciclos. "O que a gente sentir no momento do eclipse tem relação com o que vamos manifestar nesse novo ciclo", afirma Isabel.

Para quem quiser aproveitar o período, a dica é usar a data para refletir e abrir espaço para o novo. Como diz a especialista, cada um carrega uma caixa: se estiver cheia, não sobra lugar para prosperidade. Cuidar dessa caixa é o primeiro passo.

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