Advogado preso multiplicou patrimônio por dez e acumulou R$ 314 milhões
O advogado João André Buttini de Moraes, preso nesta quinta-feira (3) em uma operação contra corrupção na administração tributária paulista, multiplicou por dez o patrimônio declarado entre 2017 e 2024, segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A fortuna informada pelo advogado passou de R$ 30,5 milhões para R$ 314,2 milhões em sete anos. De acordo com os investigadores, mais de 99% da renda declarada por Buttini era composta por dividendos isentos de impostos distribuídos pelas empresas ligadas a ele.
O MP-SP aponta Buttini como líder do núcleo privado de uma organização criminosa que cobrava propina para interferir na análise e na liberação de créditos tributários na Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo. Segundo a investigação, o advogado captava grandes contribuintes, negociava honorários e facilidades e destinava parte dos valores recebidos a agentes públicos encarregados. A operação desta quinta-feira é mais um capítulo de um esquema que, na prática, mexe com o bolso de quem paga imposto no estado.
Quem vive do interior de Minas, como eu, sabe o peso de cada real que sai do caixa da roça para o fisco. Quando um esquema desses desvia a análise de créditos tributários, o prejuízo não é só do cofre público: é do produtor que espera a restituição para comprar insumo da próxima safra, é do pequeno comerciante que depende da liberação do crédito para não atrasar o pagamento do fornecedor.
A investigação também registrou áudio em que um ex-número 3 da Fazenda de SP fala em comprar sauna para lavar dinheiro, conforme divulgado na operação. O caso segue sob apuração do MP-SP, que não informou quantos contribuintes teriam sido beneficiados pelo esquema nem o valor total das propinas envolvidas. Para quem vive da terra e do comércio local, a expectativa é que a investigação avance e que os recursos desviados voltem a circular de forma limpa, sem atravessador.
operação contra corrupção na Fazenda de SP impacto de esquemas tributários no agronegócio