# Césio 137 em Goiânia: 39 anos do acidente radioativo

> O acidente radiológico com césio-137 em Goiânia começou em 13 de setembro de 1987, quando catadores encontraram um aparelho de radioterapia abandonado numa clínica desativada. A contaminação pelo pó azul atingiu centenas de pessoas e é considerada a maior emergência radiológica do Brasil. Passados 39 anos, 1.141 sobreviventes permanecem em acompanhamento médico.

*Portal Notícias MG · Cidade · 14 de setembro de 2026 · Inácio Bicalho*

Em 13 de setembro de 1987, dois catadores acharam um aparelho de radioterapia abandonado numa clínica desativada em Goiânia. O pó azul que saiu dali virou o maior acidente radiológico da história do Brasil. Trinta e nove anos depois, 1.141 sobreviventes seguem em acompanhamento.

Em 13 de setembro de 1987, dois catadores de materiais recicláveis acharam um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas de uma clínica desativada em Goiânia. Roberto dos Santos e Wagner Mota levaram o equipamento para um ferro-velho, abriram a cápsula cilíndrica que havia dentro e encontraram um pó azul de brilho intenso. Aquele pó era césio-137.

O maior acidente radiológico da história do Brasil começou ali, num gesto que parecia só mais um dia de desmonte. A distribuição do material pela cidade foi rápida. Nos dias seguintes, moradores passaram a apresentar náusea, vômito, queimaduras na pele e fraqueza. Os sintomas foram confundidos com outras doenças, o que atrasou a identificação e a resposta das autoridades.

Quando o contato com o pó brilhante virou o elo comum entre os doentes, uma decisão por pouco não agravou tudo. O físico nuclear Walter Mendes Ferreira relata que o Corpo de Bombeiros foi chamado para descartar o material, que quase foi jogado no rio. Foi nesse momento que a radiação emitida pelo pó foi medida, comprovando a gravidade.

A operação de emergência isolou residências, destruiu pertences pessoais e descontaminou bairros inteiros. Mais de 100 mil pessoas foram avaliadas por exposição. O saldo: quatro mortes diretas e milhares de afetados. Além da saúde fragilizada, da perda de entes queridos e de partes do próprio corpo, os sobreviventes enfrentaram anos de preconceito e isolamento por ideias incorretas sobre os efeitos da radiação.

## O que mudou desde 1987

A meia-vida física do césio-137 é de cerca de 33 anos, e os locais de manipulação e estocagem permaneceram contaminados por muito tempo. Cerca de 6 mil toneladas de objetos seguem guardadas em depósitos subterrâneos em Abadia de Goiás. A estimativa é que os rastros da radiação desapareçam totalmente 200 anos depois do acidente.

Três décadas após o desastre, cerca de 1.141 sobreviventes continuam sob acompanhamento físico e psicológico do Cara (Centro de Assistência aos Radioacidentados), vinculado à Secretaria de Saúde de Goiás. O grupo inclui vítimas diretas, trabalhadores que atuaram na crise (policiais, bombeiros, garis e profissionais de saúde) e seus descendentes.

O episódio de Goiânia virou referência internacional. A partir dele, leis, normas de radioproteção e protocolos globais de gestão e resposta a emergências com materiais nucleares foram radicalmente alterados. radioproteção no Brasil

## O que a comunidade espera

Quem acompanha o tema no interior goiano costuma repetir que a lição do césio-137 não cabe só nos manuais. O acompanhamento dos radioacidentados pelo Cara segue como a principal demanda dos sobreviventes e de suas famílias, que cobram continuidade do atendimento e reconhecimento pelo que passaram. acompanhamento dos radioacidentados

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/cidade/acidente-radioativo-cesio-137-goiania-completa-39-anos-relembre-caso/
