"Se vai manter, são outros 500", diz CEO da Nexus sobre Cury
Augusto Cury (Avante) chega a 11% das intenções de voto no primeiro turno, segundo pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda (31). É a primeira vez que um candidato da terceira via ultrapassa os dois dígitos. CEO da Nexus analisa o fenômeno.
Pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (31) aponta Augusto Cury (Avante) com 11% das intenções de voto no primeiro turno. É a primeira vez que um candidato da chamada terceira via ultrapassa a barreira dos dois dígitos. No cenário estimulado, Lula (PT) lidera com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 33%, e Cury com 11%. Na rodada anterior, de 24 de agosto, o candidato do Avante aparecia com 2%.
Em entrevista ao CNN Novo Dia, o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, avaliou o resultado como uma novidade. "O Augusto Cury é o primeiro candidato da terceira via, em quase seis meses de pré-campanha e duas semanas de campanha oficial, a romper a barreira dos dois dígitos, tão sonhada por Caiado, Renan e Zema", afirmou. Na pergunta espontânea, Cury saltou de 1% para 8% em uma semana. Na estimulada, foi de 2% para 11%.
Tokarski atribuiu o crescimento principalmente a Flávio Bolsonaro, que caiu quatro pontos, de 37% para 33%, mas também a Lula, que oscilou dois pontos dentro da margem de erro, e a Romeu Zema, que registrou seu pior desempenho desde março, caindo de 3% para 1%. "Se a gente somar hoje Caiado com 5, Renan com 3 e Zema com 1, eles têm 9%. O Cury já tem mais do que todos os outros candidatos da terceira via juntos", destacou.
Apesar do avanço, o analista ponderou que ainda não é possível falar em tendência consolidada. "Se ele vai manter essa taxa veloz de crescimento, são outros 500. Pode ser uma novidade, a partir daí, as pessoas começam a olhar quem é ele e talvez repensem seu voto. Nove pontos não é trivial", avaliou. Ele comparou Cury a Renan Santos, outro candidato considerado desconhecido por boa parte dos eleitores: "É uma figura mais moderada, de um discurso mais moderado. O Renan tem um discurso mais duro, que talvez assuste parcela do eleitorado".
O crescimento de Cury foi impulsionado pelo debate entre presidenciáveis na TV Bandeirantes no domingo (23), do qual participaram apenas Cury, Caiado e Renan, sem Lula, Flávio e Zema. "O debate para ele foi benéfico, os cortes foram para as redes sociais ao longo da semana e ele usou muito bem isso a seu favor", observou Tokarski. O desempenho resultou em aumento de buscas no Google e mais de 2,5 milhões de novos seguidores nas redes sociais, republicados por influenciadores.
A pesquisa também mostrou migração de votos: entre os eleitores de Cury, 23% votariam em Lula no segundo turno, 46% em Flávio, e 29% em branco ou nulo. Tokarski comparou o fenômeno ao de Pablo Marçal em São Paulo em 2024, mas ressaltou: "Não estou dizendo que isso vá acontecer, mas é preciso observar". O levantamento ouviu 2.005 eleitores entre 28 e 30 de agosto, com margem de erro de dois pontos e nível de confiança de 95%.